O que é uma Craca

Craca

Uma craca é uma espécie de artrópode, que constitui a infraclasse Cirripedia no subfilo Crustacea, sendo desta maneira, um animal parente das lagostas e camarões.
As cracas são encontradas formando colônicas no mar, geralmente em águas rasas e que sofrem a influência das marés, sendo muito comuns em costas rochosas. São animais sésseis, ou seja, ficam presas permanentemente a um substrato e não se deslocam por si próprias, e se alimentam no geral de plâncton em suspensão na água.

Craca do gênero Semibalanus balanoides. Foto: Wikimedia Commons
Craca do gênero Semibalanus balanoides. Foto: Wikimedia Commons

Existem cerca de 1220 espécies de cracas conhecidas, que podem ser encontradas fixadas em rochas, cascos de navios, docas e até mesmo sobre outros animais, como tartarugas marinhas, ostras e baleias. Algumas espécies vivem no fundo do mar.

Algumas poucas espécies de cracas são parasitas, como por exemplo as espécies do gênero Sacculina, que vivem parasitando caranguejos.

Variam em tamanho desde uma cabeça de alfinete até um máximo de cerca de 10 cm de diâmetro em certas espécies.

No geral, seu exoesqueleto não é colorido como o da maioria das conchas marinhas. A maioria das cracas possui “conchas” branco-acinzentadas, mas algumas espécies podem ser amarelas, rosadas ou azuladas, e até mesmo apresentar padrões de cores alternadas.

No estágio inicial de suas vidas são livres-nadadores e procuram um local para se fixarem. Após a fixação, começam a desenvolver sua proteção externa, que muitas pessoas creem ser uma concha, mas que na verdade é um exoesqueleto composto de placas calcárias. Ao se reproduzirem, depositam ovos dentro do próprio exoesqueleto;  97% das espécies são hermafroditas, e a maioria absoluta delas se reproduz fecundando seus vizinhos – a autofecundação é rara.

A maior parte das cracas lembra fisicamente um pequeno vulcão, e podem cobrir inteiramente superfícies rochosas que estejam expostas à água do mar. Habitam todas as zonas do planeta, desde as regiões polares até os trópicos.

Craca - Vista superior (esq.) e inferior (dir.) - Encontrada na praia de Itararé, em São Vicente / SP
Craca – Vista superior (esq.) e inferior (dir.), com aprox. 3,1cm de diâmetro – Encontrada na praia de Itararé, em São Vicente / SP, por Fábio dos Reis.

Como as cracas se fixam em estruturas no mar, podem causar prejuízos ao ser humano quando se fixam em cascos de embarcações, pois podem levar à sua deterioração. Navios de grande porte podem ser infestados de tal forma a terem até 300 toneladas de cracas afixadas em seu casco.
Ainda assim, algumas espécies são comestíveis, como a Capitulum mitelia (comum no Japão) e as Pollicipes policipes, comuns na península Ibérica. A espécie Austromegabalanus psittacus é um dos ingredientes do curanto, prato típico da cozinha chilena.

Craca Balanus Nubilus
Craca Balanus Nubilus, usada como porta-lápis.

Até 1829 se acreditava que as cracas eram moluscos, até que médico britânico J. Vaughan Thompson demonstrou que, na verdade, esses animais são crustáceos. Dois anos depois, Charles Darwin embarcou no H.M.S. Beagle para a famosa viagem de cinco anos ao redor do planeta – e Darwin ficou fascinado pelas cracas quando o navio visitou a costa do Chile, em 1834.

Charles Darwin acabou estudando as cracas por mais de 8 anos, tendo estabelecido uma coleção com mais de 10 mil espécimes. Quatro volumes foram produzidos descrevendo todas as espécies de cracas conhecidas, vivas ou fósseis.

Cracas do gênero Pollicipes
Cracas do gênero Pollicipes sem o exoesqueleto – Imagem extraída do livro Monograph On Cirripedia Vol. 1, de Charles Darwin

Referências

Schaefer, Lola M.; Barnacles. Heinemann Library. 2002

Ross, Arnold; Emerson, William K.; Wonders of barnacles. Dodd, Mead & Company. 1974

Darwin, C.; Monograph on the Sub-class Cirripedia Vol. 1. Ray Society. 1851

 

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